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Aaron volta para uma visita

Feliz dia dos Pais, gente! Seja pai de criança, mãe que também é o papai, pai de bichinho, pai de tudo! Eu lembrei que uma vez fiz um conto para o primeiro (na verdade 2º) dia dos pais do Sean com a Bel. Dessa vez não tive tempo de escrever nada especial, pois estou ocupada com outros livros. Mas lembrei que eu tenho uma cena com um dos pais dos meus livros!
Vocês sabem que A Herdeira Rebelde, próximo livro do Preston já está em projeto. E escrevi algumas cenas dele, para ver o que eu ia usar, onde ia começar, etc. Algo que costumo fazer. Uma dessas cenas é em 1817, poucos meses após certos acontecimentos do livro #2. Mas é antes daquela cena final onde já acabou a temporada.
Para quem não leu o livro #2 dos Preston: Uma Dama Imperfeita, isso aqui é spoiler, ok? Aconselho a não ler se quiser ficar chocado e surpreendido nos capítulos finais do livro! 😂

Enfim, aqui tem o Henrik e 3 de seus filhos. Em um típico momento dos Preston! Eu não sei se essa cena vai entrar no livro, ou se vai ser modificada para entrar mais a frente, pois como disse, ainda estou trabalhando no projeto do livro e nessa fase eu posso mudar tudo do nada.

Espero que curtam!


Essa imagem me lembra o Marquês e a Lydia! <3

 

Finalmente chegava um dia limpo e agradável em Devon, as crianças já estavam entediadas com o clima nublado ali no campo. Já era primavera, queriam sair. Apesar do tamanho da casa, não era espaço suficiente para gastarem energia. Era óbvio que ao pensar nisso, o marquês estava se referindo a Lydia e Nicole.

— Ele chegou — avisou Henrik, enquanto ia para a entrada.

Nicole continuava pequena, desconfiavam que do ano anterior até aquele momento, ela só havia crescido uns cinco centímetros. Mas parecia ter sido apenas nas pernas, pois estava correndo mais rápido e ultrapassou o pai rapidamente, passou pelo Sr. Roberson que mantinha a porta aberta e… rolou pelos degraus. Caiu sentada no solo batido que formava um quadrado e um caminho envolto em grama.

— Sequer me deu tempo de avisar — disse Henrik, parando ao lado dela e a levantando. Ele abaixou e limpou suas mãos e ajeitou seu vestido.

Nicole fazia uma expressão magoada de quem ia chorar e ele checou para ver se havia algum machucado.

— Vamos, foi apenas um tombo — ele a pegou no colo e avançou para a carruagem que estava parando na entrada.

Ouviram passos rápidos atrás deles e o som de sapatos descendo. Henrik esperou muito que sua outra filha não caísse também, Lydia já tinha batido sua cota de tombos naqueles degraus durante a infância. E pelo que sabia, o lanche estava com ela, seria um desastre.

A porta da carruagem abriu antes que ela parasse totalmente e dali pulou ul vulto loiro, foi tudo que viram de tão rápido que aconteceu.

— Papai! Papai! — gritava.

Aaron jogou-se contra o pai, nada preocupado em ter certeza que ele aguentaria segurar os dois filhos ao mesmo tempo.

— O que eu falei sobre esperar os veículos pararem antes de pular deles? — Perguntou Henrik, entre divertimento e preocupação. — Vocês têm que parar com isso!

Com a carruagem parada, a ama que o acompanhara do colégio até ali desceu calmamente, com uma valise nas mãos e entregou ao lacaio que a ajudou a descer.

Henrik abaixou, depositando as duas crianças no chão.

— Aaron! — Nicole se abraçou ao pescoço do irmão.

— Eu consegui sentir até a sua falta, sua baixinha! — Disse o garoto, apertando a irmã que sendo 2 anos mais nova, batia bem abaixo do pescoço dele. Diferente dela, Aaron já demonstrava que seria alto como o pai e a irmã mais velha.

— Você é como uma girafa! — Devolveu Nicole. — Seu girafão!

— Quem lhe ensinou isso? — Quis saber Aaron. — Não sou nada disso! Lá na escola não sou tão maior!

Nicole olhou para a culpada por ter ensinado a ela alguns insultos para se defender. Lydia ria ao abaixar e apertar o irmão entre os braços, pegando-o pelas costas.

— Girafinha loira! Pensei que não chegaria a tempo do piquenique!

Aaron fingiu que estava tentando se soltar do abraço da irmã mais velha, mas não durou. Ele a adorava e deixou até que ela o levantasse um pouco antes de soltá-lo e dar uma das risadas que o contagiavam e faziam sentir de volta.

— Nós vamos mesmo? — Os olhos dele brilharam. — E a mamãe? Ela virá conosco dessa vez? Ela está bem?

Ele olhou em volta, dando-se conta que a mãe não estava junto a carruagem e girou no lugar, com olhos arregalados por um momento. Mas logo saiu correndo para a porta e subiu tão rápido que pulou o degrau do meio.

— Mamãe!

Ele se abraçou a cintura de Caroline e ela se inclinou para abraçá-lo de volta.

— Fez uma boa viagem? Fico feliz que tenha chegado cedo.

Aaron continuou abraçado a ela e deitou a cabeça para olhá-la.

— Já ficou curada, mamãe? Está aqui fora!

— Acalme-se, estou bem — ela acariciou seu cabelo e o ajeitou ao mesmo tempo. — Senti muito a sua falta.

— Eu também! E o bebezinho?

— Está bem — ela abaixou um pouco para ver seu rosto de perto e o acariciou. — Agora vá com seu pai e suas irmãs, tenho certeza que está com fome.

— Venha também, mãe! — Ele apertou sua mão.

— Eu vou precisar alimentar o seu irmão — ela lhe deu um sorriso leve e acariciou seu ombro ao se endireitar.

Aaron assentiu, mas antes de descer, perguntou:

— Mas tarde posso ficar com vocês, não é? Já está melhor!

— Claro que pode.

Ele ficou contente com isso e voltou correndo, felizmente não caiu também e alcançou Henrik. Só parou quando pegou na não dele.

— Vamos, pai! Mamãe me deixou ficar com ela quando voltarmos.

Henrik olhou por um momento para a entrada da casa onde a esposa havia ficado e depois sorriu para o filho.

— Sabe que aqui não é o mesmo que sem você?

Ele foi andando com Aaron ao seu lado, Nicole correu e agarrou a outra mão de Henrik.

— Eu não vou poder ir com vocês para Londres? — Aaron parecia preocupadíssimo com essa possibilidade.

— Você tem que estudar, garoto! Não admitimos gente boba na família — provocou Lydia, seguindo logo atrás deles com uma cesta de lanche.

— Eu não sou bobo! Papai, você viu que tirei notas boas? — Ele lançou um olhar emburrado para a irmã que se divertia muito em tê-lo por perto para atormentar.

— Eu também não sou boba! — Intrometeu-se Nicole. — Não é, papai?

Aaron se inclinou um pouco só para olhar a irmã.

— É sim. Muito boba. Só melhora se crescer.

— Não sou!

— Miúda! — Implicou ele.

— Pai! — Nicole os obrigou a parar quando não quis soltar a mão de Henrik, mas ao mesmo tempo se lançou à frente dele, tentando pegar o irmão.

Aaron ria, desviando-se dela e Lydia deu um cascudo na cabeça dele.

— Ela não é boba, também está estudando.

— E você estudou? — Perguntou o irmão.

— Claro que sim, como acha que a Sra. Jepson chegou aqui. Algum filho tinha que sair inteligente — declarou Lydia.

— Lydia, pare de confundi-los — pediu o pai.

Henrik pegou Nicole no colo e tornou a dar a mão a Aaron, assim progrediriam mais rápido.

— Eu sou inteligente, papai? — Perguntou Nicole.

— Claro que sim — disse ele. — Todos vocês são.

— Então eu posso ir com vocês para a cidade? — Perguntou Aaron.

Henrik bateu o olhar em uma das árvores da beira do bosque e mudou o caminho para lá.

— Vamos lanchar ali embaixo.

Ele deixou os dois filhos menores ali e pegou a cesta que Lydia trazia.

— Se vamos ficar tão perto a mamãe podia ter vindo — comentou Aaron, pois tinha vezes que eles saíam para fazer piqueniques e iam tão longe que gastavam horas.

Lydia ficou olhando para o pai e dessa vez não disse nada, apenas esticou a toalha, mas empurrou o irmão para se sentar logo.

— Nós não devemos ir a temporada agora — Henrik concentrava-se em tirar pratos da cesta. — Talvez sua irmã possa ir mais tarde.

— Não irei sem vocês. Não tem a menor graça. Prefiro ficar — declarou Lydia.

— Não seja teimosa, poderá ir — disse Henrik.

— Não ficarei com outros só por umas semanas de festas. Posso ver meus amigos aqui.

Henrik ajeitou um prato com bolo e pãezinhos para Nicole que esticou as pernas e manteve suas guloseimas sobre o vestido. Ela mastigava lentamente enquanto prestava atenção em todos eles.

— Eu posso ir às festas no lugar dela, já sou um lorde — declarou Aaron.

— Você é vai voltar para o colégio e parar de aprontar lá — Lydia lhe deu um prato de bolo com certa brusquidão.

Henrik recuperou o prato e terminou de colocar mais comida, inclusive rolinhos e sanduíches salgados, com fatias de presunto. E Nicole reclamou que ela não tinha isso no dela. Lydia ficou olhando para o pai, que servia os pequenos pacientemente. Mesmo contente com a visita do filho, ele não vinha parecendo o mesmo ultimamente. Ela o conhecia muito bem. Então virou-se para o irmão:

— Mamãe tem que alimentar o pequeno Benjamin. Só ela pode fazê-lo. Mães fazem isso, ela também amamentou vocês dois. Ele começa a chorar. Igualzinho a vocês, dois chorões! Ah, como vocês choravam — Lydia revirou os olhos.

Henrik sorriu levemente e encheu um daqueles rolos salgados com presunto para comer com a mão, do modo selvagem do campo que ali em Bright Hall era perfeitamente aceitável.

— Garanto que você chorava também — disse Aaron.

— Sua mamãe também ficou doente? Ela te ninava e tinha que ficar dentro de casa com você? — Perguntou Nicole.

Custou até ela entender que Lydia tinha outra mãe, mas desde então, ela fazia perguntas inesperadas por pura ingenuidade. Nenhum dos dois fazia ideia do que aconteceu ali no passado. Até mesmo Lydia só foi realmente entender depois que cresceu e encarou as lembranças como uma adulta.

— Sim, minha mãe adoeceu de outra forma. E aí ela se foi quando eu era do seu tamanho. E nossa mãe foi minha nova mãe — resumiu Lydia. — Ela também ficava muito tempo comigo.

Henrik olhava os filhos conversarem enquanto mastigava, numa mistura de memórias e culpas. E suas preocupações atuais.

— Mas papai me ninava e alimentava! — Disse Lydia, animada. — Nós nos divertimos muito juntos!

Ela lhe ofereceu um prato de bolo, algo que fazia desde a infância. Mesmo nos lanches que começaram a acontecer nos jardins de Bright Hall naquela época, Lydia sempre achava que o pai estava precisando de bolo. E não entendia que não podia oferecer um prato do outro lado da mesa. Alguns pedaços foram derrubados até ela aprender isso.

Henrik sorriu para ela e aceitou o bolo. Já que ia ficar em casa naquela temporada, Lydia tinha tomado a missão de alegrar os pais. Mas não adiantava, pois nenhum dos dois ia lhe dizer se havia algo mais acontecendo além das consequências óbvias dos acontecimentos do final do ano.

— Olhem! Tem bolinhos de creme! — Lydia tirou o prato que ficou escondido na cesta.

— Eu quero! — disseram as duas crianças, cada um derrubando algo de seus próprios pratos sobre a toalha.

Eles comeram o lanche quase todo no tempo que ficaram sentados ali.

— Amanhã vamos ao rio! — Aaron estava muito animado de estar em casa.

— Depois vamos correr no caminho de flores! — Disse Nicole.

— Seus amigos vão mesmo vir aqui, Lydia?

— Podemos brincar também?

— Papai! Diga para ela deixar!

As duas crianças não paravam de falar enquanto Henrik bebia limonada e Lydia os provocava, sentada ao lado dele. E comendo o terceiro pedaço de bolo.


Essa cena não foi revisada, faz parte do projeto do livro: Uma Herdeira Rebelde (Preston #3)

O livro 2.5 dos Preston, Um Amor Para Lady Ruth já foi lançado!