Enquanto assombrações, fadas, espelhos encantados e outras superstições da véspera do dia das bruxas causavam um rebuliço no vilarejo, a pequena Joan alternava entre dormir e brincar no seu paraíso de bonequinhos, nuvens feitas de espuma e a paz do berçário da propriedade dos Thorne. Dorothy chegou num estado deplorável e se inclinou só para checar o rostinho da filha que jamais imaginaria mais essa peripécia dos seus pais.

— Eu nem sei quando aquele desavergonhado, indecente, canalha, patife, infame, mequetrefe, sacripanta, aquele libertino de péssima fama que eu te arranjei como pai aparecerá por aqui — Dorothy sussurrou para a bebê que já falava umas palavras perdidas, mas jamais se lembraria da lista de “qualidades” que a mãe usava quando estava irritada com o seu pai.

Albania, a babá, já estava acostumada com o comportamento excêntrico dos patrões, mas esfregou os olhos ao acordar e ver a condessa inclinada sobre o berço, com gaze arrastando atrás dela, pois ser imprensada e esfregada numa árvore arruinava tecidos sensíveis.

— Volte a dormir, retornarei se precisar de mim — sussurrou Dorothy, ao sair com os sapatos na mão.

***

O vestido foi descartado, não tinha salvação. Os sapatos estavam até arrebentados. E Dorothy teve que esconder seu calção íntimo, pois como explicaria à camareira que ele saiu intacto e voltou rasgado? Nem as meias grossas resistiram e uma de suas ligas tinha arrebentado e se perdido na floresta.

Suspirando, Dorothy fechou os olhos e afundou mais na banheira. Merecia aquele momento de relaxamento. Em vez de névoa sinistra e o cheiro das fogueiras, uma leve fumaça perfumada rodava pelo cômodo. Nada mais podia acontecer, já era dia das bruxas e ela não queria pensar sobre seu marido desaparecido no meio do mato. Ele era um espião, havia saído de situações inimagináveis, não seriam uns homens meio bêbados no meio da madru…

TUM.

O som de algo caindo fez Dorothy abrir os olhos e ela teria gritado, mas já estava experiente em meio ao inesperado.

— Uma bela noite das bruxas, lady Wintry — cumprimentou Tristan, abrindo aquele sorriso devastador de tão sem vergonha. — O céu até abriu.

— Seu lordezinho impossível! Onde estava?

— Na estrada, a caminho de casa, onde mais? — ele se virou e fechou a janela como se não tivesse acabado de escalar a própria casa até o segundo andar, abrir uma janela que Dorothy podia jurar que estava trancada e pular para dentro.

Ela se sentou na banheira, agarrando as laterais.

— Pois eu acabei de vê-lo na floresta.

Tristan começou a se livrar das roupas com rapidez, estava doido para tirar aquele tecido grosso de cima dele e se limpar daquele dia de excessos. Mas ao ouvi-la, ele não resistiu e deu uma olhada sacana sobre o ombro:

— Tem certeza que era eu?

— E quem mais seria? — devolveu ela, decidida a continuar a farsa

A camisa dele foi ao chão, junto com as armas que ele carregava escondidas e Tristan se inclinou para perto dela, apoiando as mãos na beira da banheira:

— Estava me traindo com um fantasma, Dot?

— Como ousa ser tão sem vergonha? — ela jogou toda água que conseguiu nele.

Tristan tentou engolir a risada e arrancou o resto das roupas, num instante estava em toda sua glória máscula e atraente, expondo pele demais e músculos bem torneados.

— Que história é essa de deixar outro tocá-la? Não permito nem que um fantasma chegue perto de você. Nem nos seus sonhos — declarou ele.

Apesar da atenção que ele chamava, especialmente com sua falta de vergonha por estar nu, Dot tinha mais preocupações.

— Você está arranhado — reclamou. — Como acabou assim? Teve de lutar?

— Ah, isso vai arder — comentou ele, sabendo que a esposa exagerava nos sais e outros produtos que gostava de colocar na água.

— Você não vai entrar no meu banho relaxante! Saia daqui! Seu… seu… — reclamou ela, pulando da água e falhando em fugir a tempo. — Aah! — gritou.

***

Do lado de fora, a Sra. Fennington corria escada abaixo para chamar Hilde, a camareira da condessa. Pois ela tinha mais intimidade, sabia de coisas da dama e até do casal que eram dever apenas da criada pessoal. A impressionável governanta estava vivendo uma noite apavorante, pois chegou ofegante no andar de baixo e soltou em tom de urgência:

— A condessa voltou assombrada! Está falando sozinha! Um espírito deve tê-la acompanhado! Eu a ouvi gritar!

— Deve ter sido o Jack Astuto que se encantou por ela — respondeu Hilde, enquanto comia um pedaço de bolo.

— E eu ouvi uma voz de homem!

— O quê? — a camareira engoliu o pedaço de bolo. — A senhora está doida? Eu a deixei sozinha no banho, a senhora sabe que ela gosta de relaxar e só devemos incomodá-la se for para levar sua bebê.

— Eu vou acender umas velas! E você vai ajudar a condessa!

— Nem morta, vou terminar minha ceia primeiro — Hilde voltou a comer o bolo, como criada pessoal da condessa, ela não era obrigada a pular de acordo com a menor ordem da governanta e gostava de fazer uso desse privilégio.

***

Dorothy vestiu um robe com o corpo ainda molhado e escapou para o quarto, no caminho teve que pular duas adagas e uma pistola, encontrou a máscara e a lanterna quebrada, partes do disfarce de Tristan. Ela deixou pegadas molhadas porque acabou esfregando até o cabelo do marido com sua “água cara”, depois de ele ter passado a noite aterrorizando gente na floresta. Ou melhor, apenas os convidados abusados de lorde Bardon.

As luzes foram apagando atrás dela e Dorothy seguiu para a cama onde a camareira deixou mais toalhas antes de sair.

— Não vou cair nos seus truques. Eu sei que fechou a janela, as luzes não vão apagar sozinhas — comentou ela.

Mas as outras luzes apagaram e sobrou apenas a iluminação dos pontos principais do quarto, que os dois deixavam quando iam dormir.

— Vim buscar o que não pude ter na floresta — anunciou ele, fechando a porta do banheiro.

Dorothy girou nos calcanhares e apontou para ele.

— Vou lhe dar um tiro! Eu juro!

Ele avançou na direção dela, sabendo que não fugiria para lugar algum, Dorothy desceu o olhar pelo corpo limpo e brilhando do marido. Prensou os lábios, mais uma vez considerando como a vida não era justa.

— Um lordezinho trapaceiro como você não pode ser tão… — ela soltou outro gritinho quando ele a levantou e soltou na cama.

— Maravilhoso e adorável como marido — ele completou a frase dela, antes de beijá-la.

Tristan a cobriu com o corpo, os dois ainda estavam úmidos da água e se encaixaram ao mesmo tempo que escorregaram na pele um do outro. Dorothy o abraçou, contente por tê-lo intacto de volta aos seus braços. As confusões daquela noite foram só mais uma aventura, o que realmente a preocupava eram as missões que ele saía para cumprir em seu trabalho.

— Você estava animadinha demais com o Jack’o no meio da floresta, não estava, Dot? — Tristan a segurou pelo queixo, falando com a boca tão junto a dela que as palavras eram mais um beijo.

Dorothy riu baixo e o mordeu.

— Ficou com ciúmes?

— Fiquei com mais vontade de vir para casa — ele empurrou o robe do ombro dela e não resistiu a experimentar sua pele do jeito que queria.

— Acabou a missão? — ela o empurrou pelos ombros.

Tristan apoiou as mãos no colchão, dos lados da cabeça dela, olhando-a de cima:

— Eu não fui convidado para o banquete do vizinho, mas a minha missão sim.

— No vizinho? Tristan!

— Tentei voltar cedo, mas certos convidados atrapalharam meus planos.

— Você aprontou a noite toda, eu sabia.

Ele tomou a boca dela, deixou o corpo cobri-la novamente, mas levantou a cabeça, ouvindo os passos no corredor.

— Seu amiguinho Jack? — provocou ele.

Dorothy riu baixinho quando ele se ajoelhou e a puxou, seu cabelo solto caiu sobre seus ombros e Tristan mergulhou o rosto na pele dela, não tinha dado tempo de se barbear e ela se arrepiou toda com o leve arranhar sobre seus seios. Ele beijou em volta dos mamilos rijos e sensíveis e a inclinou para se fartar nela do jeito que gostava. Ter de ficar longe dela naquela noite só o deixou mais ansioso e irritado, queria sua esposa de volta aos seus braços e aqueles palermas o atrapalhando. Tinha resolvido sua missão ainda no entardecer, quando a primeira moça sumiu da sala de espelhos.

— Beije-me do jeito que fez na floresta, com o tempo que não tinha — pediu ele ao levantar a cabeça.

Agarrando-se aos ombros largos, ela elevou o corpo e o abraçou, passando a mão pelo cabelo úmido até segurar o rosto anguloso.

— Tristan Thorne, seu desavergonhado — sussurrou ela e lambeu a boca dele, incitando-o. — Eu ainda sou louca por você.

Sabendo que ela era capaz de tudo, ele sucumbiu a saudade e a envolveu pela cintura, puxando-a para suas coxas. Dorothy o beijou com intimidade, explorando a boca dele com a língua do jeito que o acendia como fogos de artifício. Ele aumentou o aperto e ela desceu as mãos pelas costas firmes, sentindo os músculos dele responderem sob o poder do seu toque.

— Madame, a senhora terminou o banho? — a voz da camareira veio de longe, seguida de uma batidinha na porta externa do cômodo adjacente, o banheiro e sala de banho do casal.

Dorothy parou de beijar o marido e ele grunhiu de frustração, estava tão consumido que foi pego desprevenido. E ela ficou sem saber o que dizer, certamente não estaria mergulhada na água até aquele momento.

— Não! Digo, já! — gritou e soltou o ar entre os dentes, frustrada, estava tão excitada que não pensava no que dizia.

Tristan recuou pela lateral da cama, ajoelhando-se sobre o tapete e puxando Dorothy pelas coxas num movimento que a derrubou de costas no colchão. O robe dela ficou parcialmente estirado sobre a cama quando ele a puxou ainda mais, elevando as coxas dela sobre os ombros. Os passos soavam no corredor de madeira, mas os cochichos não chegavam aos ouvidos deles.

— Tristan… — sussurrou Dot, ainda olhando o teto, sem conseguir se recuperar.

Ele nem respondeu, acariciou as coxas dela ao colocá-las sobre os ombros e mergulhar o rosto entre as pernas dela, para ter o que não conseguiu na floresta. Dorothy o sentiu inspirar seu cheiro e esfregar a boca nos lábios do seu sexo, banqueteando-se na umidade dela.

— Então vou mandar esvaziar a banheira — avisou a camareira.

Tristan esfregou a língua pelo sexo de Dorothy que estremeceu inteira com a onda de prazer que percorreu o corpo dela. Ele estava só matando a saudade, concentrado, pouco se importando com o que acontecia a sua volta. Esteve dias longe de casa, teve de ver a esposa de longe a noite toda, saiu pulsando de frustração e desejo de um encontro interrompido, ninguém conseguiria tirar Dorothy das mãos dele agora.

— Mande! — gritou Dot, apoiando as mãos no colchão e falhando em se elevar.

Sons de passos soaram no cômodo adjacente e depois na antessala, então duas vozes femininas, antes de Hilde bater e avisar:

— Vou ajudá-la a se preparar para dormir, milady.

Ignorando o perigo e o escândalo, Tristan subiu as mãos pelas laterais das coxas de Dot, puxando-a ainda mais e começou a chupá-la. Ela gemeu e arqueou na cama, o prazer que a fome dele proporcionava era tão intenso que o gemido saiu alto demais, agudo, parecido com um lamento, mas era o mais puro deleite.

— Milady? — a voz confusa da camareira soou do outro lado da porta.

Dorothy apoiou as mãos na cama e elevou o corpo, suas coxas continuavam presas pelo marido e ela olhou para baixo, vendo-o se fartar no seu sexo, deixando-a ainda mais encharcada.

— Tem certeza de que está bem, madame? — a pergunta veio antes de duas batidinhas.

Então a porta abriu um pouco, o rosto da camareira apareceu, mas ela impediu que a governanta visse algo, pois a intimidade da dama da casa era assunto dela como criada pessoal.

— Ah, Deus! — gritou Dorothy quando Tristan deslizou dois dedos para dentro dela e a chupou com o único intuito de senti-la gozar na sua boca.

Da porta, a camareira só via Dorothy de costas, sentada na cama, usando o robe e se movendo devagar e de forma inexplicável. O volumoso cabelo escuro balançava sobre as costas dela, ajudando a esconder o que realmente acontecia.

— Vou dormir sozinha! — gritou Dorothy, quase gozando. — Pode ir descansar, Hilde! Agora! AH!

A porta se fechou e Dorothy tombou na cama, tremendo e mordendo o lábio, tentando não gemer repetidamente enquanto Tristan lhe arrancava um orgasmo.

— Nem se eu estivesse morto você dormiria sozinha — ele subiu na cama, cobrindo-a com seu corpo grande.

Incapaz de esperar mais um segundo, mesmo se aquela porta estivesse aberta, Tristan empurrou as pernas dela com suas coxas fortes e a penetrou, sem esperar que o corpo dela se acalmasse do gozo. Dorothy soltou um gritinho e se agarrou a ele, sentindo o prazer dominá-la outra vez enquanto ele se movia no encaixe perfeito.

Ainda é louca por mim? — provocou ele.

— Você ganha um ainda quando vai para longe — devolveu ela.

Tristan passou a mão pela perna dela, elevando-a mais e se moveu, doido de desejo, mas tomado pela necessidade de aproveitar a sensação que era estar dentro dela outra vez.

— Sua desalmada — ele a fodeu devagar, indo ao limite e voltando.

Ela abriu mais as pernas, aceitando-o e desejando tudo dele, apertou os braços fortes que o apoiavam e desmanchou de prazer, ouvindo os sons que ele não tinha condições de conter. O impacto das estocadas crescentes não podia ser ouvido fora dali, só que os dois nem lembravam mais que havia gente nos cômodos em volta do quarto principal. O máximo que Dorothy conseguiu foi mordê-lo para abafar os sons, mas jogou a cabeça para trás e deixou escapar um grito estrangulado quando começou a gozar e se apertar em volta dele. Tristan a envolveu como um casulo musculoso e possessivo, passando os braços por baixo dela, cerrando os olhos e escondendo o rosto em seu pescoço enquanto se derramava no interior do seu sexo.

Os dois mal se moveram por um tempo, só o suficiente para se acariciar. Dot afastou o cabelo dele da testa e Tristan esfregou o nariz no rosto dela, enquanto murmurava:

— Sou louco por uma desalmada. Odeio ir para longe, não seja má.

— Você sabe que é meu lordezinho sujo preferido — gracejou ela, deixando as mãos subirem e descerem pelas costas largas do marido.

— O único — ele levantou a cabeça e a encarou. — Diga que me adora.

— Adoro quando você volta carente, nem parece um espião perigoso — ela passou o dedo em um pequeno arranhão no rosto dele. — Eu te adoro, sabe o quanto sou louca e apegada a você. Promete de novo que sempre vai voltar para mim.

— Sempre, sempre — ele a beijou devagar, prometendo contra seus lábios, mas voltou a olhá-la. — E mesmo depois, eu me recuso a ser um fantasma que visita apenas no dia trinta e um de outubro. Não é suficiente para me satisfazer.

Dorothy inclinou a cabeça e gargalhou, sua risada ecoou pelo quarto e alcançou os cômodos adjacentes, dando mais razão para a Sra. Fenington dizer que a condessa voltou “assombrada” das festividades da véspera de dia das bruxas.

5 thoughts on “Halloween com Jack’o

  1. Dot, como sempre destemida e pronta para resolver uma mistério.
    E Lucy como sempre desvendando as superstições da época e nós presenteando com esse conto…..

  2. Ah mulher pode começar a escrever mais hein que saudade kkk agora vou reler tudo de novo kkk escreve mais vai

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